Vem aí “Luaria”, o novo CD da Trupe Sonora Casa de Orates!
Com gravações já em andamento e produção de Alegre Corrêa, o segundo CD da Trupe será lançado no primeiro semestre de 2011.
Para os fãs que vivem no oeste catarinense e no sudoeste do Paraná, uma boa notícia: tem lançamento do CD por aqui também!
Aguardem mais novidades e acompanhem as notícias!
Abaixo uma matéria sobre o novo CD: saiba o que está rolando, como está o andamento das gravações, quem é Alegre Corrêa e muito mais…
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O caminho das bruxas
A Trupe Sonora Casa de Orates nasceu em 2003, na cidade de Itajaí, e apresenta desde então uma proposta diferenciada dentro do cenário musical. Referência em sua cidade natal, bem-aceita no mundo digital e em grandes festivais de música no sul do país, a Casa de Orates mantém uma linha de apresentações envolventes, que tornam o espectador parte do estímulo, e a partir dele constrói um universo de signos lúdicos.
A temática dos primeiros trabalhos era voltada aos sonhos, seus planos quiméricos e personagens oníricos, sintetizados no CD “O Artesão dos Sonhos” e no espetáculo “Sonhos, uma viagem ao onírico”. Atualmente a Trupe trabalha noutro foco, de ideal mais semântico; o novo álbum intitulado “Luaria” trata de bruxas, seus vários significados e classificações míticas. O trabalho é pautado na literatura e imaginário medievais e traz ainda referências tipicamente brasileiras e regionais, a exemplo o uso de ensaios de Franklin Cascaes.
Eis que o embrião de Luaria nasce em circunstâncias atípicas; fim de semana costurado em feriado na ilha da magia – Florianópolis –, instrumentos afinados, ideias amadurecidas e percepções afiadas. O feriadão do dia sete de setembro serviu de descanso para muitos, mas para a Trupe Sonora Casa de Orates foi tempo de encarar a árdua busca de timbres, arranjos e acertar nas gravações. Para isso, contaram com o foco e a tutela de ninguém menos que Alegre Corrêa.
Alegre
Se você está se perguntando “Quem é Alegre Corrêa?”, vamos a um breve tutorial. Gaúcho radicado em Viena, autodidata e multi-instrumentista, Alegre já tocou com monstros como Gerald Preinfalk, Joe Zawinul (Miles Davis,
Weather Report), Hermeto Pascoal, A Banda de Nêutrons, Vienna Art Orchestra, entre muitos outros. Ganhou, na Áustria, o prêmio Hans Koller Preiz de Melhor CD e Melhor Músico em, respectivamente, 2002 e 2003. Ganhou ainda, em nome do mestre J. Zawinul, o Grammy de melhor disco de Jazz Contemporâneo em 2010. Além de guitarrista de mão cheia, Alegre é exímio produtor, tendo trabalhado com Felixfônica, Guinha Ramires e Alessandro Kramer.
Sobre as vivências com a Trupe nessa primeira sessão de gravações, Alegre rasga elogios: “Me sinto muito feliz em receber aqui dentro do meu estúdio, em minha casa, e praticamente no meu coração – somos amigos, agora – esse grupo maravilhoso, que tem uma ideologia musical forte, que não pensa em nada que não fazer sua arte. Acho que o caminho ideal é justamente fazer isso que está acontecendo com o grupo; levar a sério o que se tem a fazer, sem buscar o sucesso comercial por mero interesse financeiro. O sucesso é consequência do trabalho. E o trabalho vem na frente, a arte vem na frente; é por isso que me tornei fã desse grupo e espero que esse seja apenas o começo de um grande projeto que levaremos juntos.”
No estúdio
Na primeira sessão no estúdio de Alegre, a Trupe encaminhou três das treze faixas do álbum. As escolhidas foram Zás-Trás, Xamãs de Ícaro e Cabeleiras. Luaria começa a tomar forma no Rio Vermelho, em meio a guias e ouvidos críticos, compondo mais uma página na história da Casa de Orates. A experiência vivenciada nesses cinco dias foi também capturada em vídeo – depoimentos, momentos descontraídos e takes da gravação – de modo a integrar um making of ; a Trupe também está desenvolvendo uma plataforma de compartilhamento desse material.
O método de captação – multitrack – de áudio não foge do tradicional; aquários, mesas de som com uma infinidade de canais, botões e microfones. No entanto, é característica do trabalho de Alegre a gravação da cozinha (baixo bateria) e do violão (base) simultaneamente, em aquários separados. Esse processo, além de manter os compassos bem marcados, faz com que o som absorva mais feeling – como numa gravação ao vivo – e poupa os músicos da gravação de mais e mais faixas, fator que torna a convivência em estúdio desgastante.
Foram, ao total, cinco dias de trabalho. Só para captar o, digamos, esqueleto-e-carne de três das tracks do álbum. Definitivamente não é um processo rápido, nem simples. A próxima sessão está marcada para dezembro, quando a trupe retorna à capital para continuar o trabalho. Outra parte relevante e que também requer grandioso empenho é a produção em si; a masterização, que virá ao final do processo, e as mixagens, que provavelmente estão sendo trabalhadas por Alegre enquanto você lê esta matéria. É tempo de segurar os cavalos; a versão final do CD está prevista somente para o primeiro semestre de 2011.
Texto: Léo Telles Motta
Fonte: www.valvularock.com.br/materias/casa_01.htm

